Regras de ouro na responsa de ser um bom cozinheiro-cannabeiro

November 29, 2017

 

 

Uma das coisas mais interessantes no processo de alimentar pessoas é a responsabilidade. Pense o ato essencialmente, sabe, considere que aquele que detém a função pode também deter esse poder de comando de vida. Me acompanha na ideia? A comida quando estraga de verdade pode ser fatal por si só, em primeiro lugar. Depois, veja que pode sambar como bem entender, esse cozinheiro aí, cheio de poder, desde a imprudência da falta de higiene e da simples manipulação no descaso (pura e comum disfunção encontrada na maior parte dos profissionais hoje), como, hum sei lá, a maluquice descompensada de adicionar cicuta ou beladona ou qualquer outra paradinha que te leve da alucinação, para o coma e para findada muerte. 

 

Por muito tempo ao longo da história, reis, imperadores e malucos ditadores tiveram seus “provadores”: aqueles que deveriam provar o alimento antes do maioral, na garantia de não estar zoado mesmo ou envenenado até, compondo os belos meandros do jogo que é a política desde sempre. Imagine os cozinheiros dos bastidores políticos de hoje em dia em Brasília – bastava um venenozinho de leve, hein? 

 

Affe, menina exagerada, eu? Não, não. Pense bem. Você não sabe de fato o que acontece até que de repente pá, ah, tem pêlo de rato no Toddynho ou água sanitária no leite de caixinha. Mas pense mais profundão, além da chance de já vir tudo estragado pra gente mesmo (assim como o prensandinho, Galera, que não se sabe da eira nem beira, né?), quem ainda vai processar aquilo em algo palatável e nutricionalmente bacana, pode ou não, digamos, ter ética. 

 

 

 

Cozinhar com cannabis então, wow, requer um nível de responsabilidade beeeem mais elevado, mesmo. Não existem indícios de morte por cannabis, mas existe por comida. Você pode não matar diretamente (ufa), mas quem garante que a comida não se estrague de qualquer maneira? Ou ainda, quem garante que o limite de uso de substâncias de efeito psicoativo podem te levar a boas ou más experiências? A matéria-prima utilizada, a maneira de processamento, a dosagem, quem diz que está tudo okay? Talvez o melhor seja no passo 01 você cozinhar apenas pra si mesmo e pronto? Enfim, questionamentos sempre são saudáveis em ambientes que envolvem processos técnicos e científicos, como a cozinha e a culinária.

 

 

 

 

Nessa vibe aí, sempre para o bem maior e geral do coletivo, vale mesmo colocar na regra. No beabá de tentativa e erro, além dos vinte anos de cozinheira profissional regados ao mundo militarista das cozinhas, entendo que assim de jeito bem direto podemos evitar um montão de contratempo...

 

01. LEIA as regras.

 

02. SIGA as regras.

 

03. LEIA as regras de novo e SIGA mesmo.

 

04. TENHA CUIDADO – COMECE DEVAGAR

Por mais que você já fume baseado há milênios, o consumo de cannabis por outras vias que não fumaça pode ser bem diferente do que está acostumado. Pra não superdosar e entrar numa viagem errada meio que “ai-caramba-eu-não-me-sinto-muito-bem-e-preferiria-não-ter-feito-isso”, vá devagar. Faça a ingestão de uma pequena parte, aguarde por trinta minutos ao menos, e então continue na brincadeira.

 

05. TENHA CUIDADO LADO B – CAUTELA NO MIX ÁLCOOL + GANJA

Essa pode mesmo ser uma mistura muitíssimo perigosa. Ao contrário da cannabis, as mortes por excesso de álcool são comprovadamente fatídicas no exagero de consumo. Tanto quanto de forma imediata – exagere e entrará em coma e pode ter falha na máquina-corpo e morrer, okay?

 

 

 

06. COZINHE PARA SI 

Antes de oferecer a qualquer outra pessoa, seja sua própria cobaia. Pois fato que a auto-responsabilidade é parte da experiência empírica. Acredito mesmo que fica muito mais fácil quando você esteve no riscado, quando já provou do mel (ou do fel), quando já entendeu que demora um pouco a bater e que tem que tomar cuidado sim.

 

07. SEJA SINCERO

Nunca, de jeito maneira, em tempo algum, ofereça comida feita com maconha para alguém que não sabe o que tem dentro. É de grande seriedade o nível de reações que as pessoas podem ter, sendo essa sorte perigosa até, onde algumas mentes podem reagir de maneira incontrolável ou com alguma violência.

 

08. SEJA RESPONSÁVEL

É de responsabilidade sim do cozinheiro a brincadeira toda, viu? Essa pessoa que deve decidir quão forte será a dose e de alertar os participantes sobre essa dosagem. Sempre comece com doses menores e saiba que, da mesma maneira que o álcool, pessoas com tolerância baixa e menor massa corporal serão afetados com maior intensidade.

 

09. SEJA PACIENTE

Pode demorar até 03 horas para os efeitos psicoativos tomarem a proporção pretendida na dosagem, então aguarde! Ao menos trinta minutos a uma hora após a ingestão da primeira mordida tente não receber fumaça e não coma mais até ter certeza desse intervalo – numa primeira vez, o melhor mesmo, é certificar uma pequena dose no dia, e então repetir a coisa toda somente depois de 24h ou mais. 

 

10. ESTUDE & ENTENDA & CULTIVE

A origem da matéria prima, as melhores técnicas de preparo, a destreza para dosagens bacanas, o mood correto de anfitrião, tudo é mesmo questão de estudo e experiência e mais estudo e práxis. Algumas infos são cruciais pra você ter uma festinha legal ou não. Por exemplo, como regra geral, alimentos mais gordurosos - como manteiga, óleo, leite, etc - vão te deixar mucho-loko mais rápido que alimentos ricos em carboidratos. Ou ainda, quando você ingere muita comida junto com a dose, pode ser que o efeito demore mais a chegar ou seja menor quando comparados com menor ingestão – taí a diferença entre a potência dos pratos principais e entradas ou sobremesas. Outra maneira de aumentar a qualidade do comestível é você ter cultivado a planta, tá? Principalmente no Brasil. E nada melhor que usar da própria horta, né não? Além de controlar melhor o strain e as diversas variabilidades dos mesmos: indica, sativa ou híbrida; ainda te dá a possibilidade de uso da planta em seu potencial-total, do caule, raíz e folhas até as flores para o punch máximo de prazer inebriante. Para sempre estudante no caminho da excelência, combinado?

 

 

 

Até breve! Três vivas a cannabis.

 

 

 

 

Thabata Neder

 

Cozinheira e especialista em cannabis,

esfumaçando cozinhas desde os anos 90.

 

 

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