Ano-Novo. Rango-Novo.

December 31, 2017

 

 

Então foi mais um ano. Esse de final 17, meio adolescente mesmo, no meu caso, meio bagunçado e esbaforido; ao mesmo tempo que preguiçoso e indeciso pra muito. Enfim, que venha maturidade-maioridade na metáfora pra esse ano aí de 2018. Mais um ciclo e mais da alegria de estarmos vivos, né? Ah, melodrama instaurado com as festas, piegas e quase contagioso. E fica todo mundo no Amor e na Paz e na Saúde, perfeito para a aventurança canábica numa ceia de virada de ano literal. Que tal comemorar o réveillon com bocados de novas experiências gastronômicas maconhísticas?

 

Como sempre ressalto a responsa e a segurança em primeiro lugar. De jeito nenhum e de jeito maneira e faz favor, não sirva ninguém sem que a pessoa saiba, ou com desproporção na potência das doses, ou acúmulo e exagero de ingestão, ou menores de idade. Okay e combinado? Sim, sim, sim, sou chata mesmo e repetitiva e ficarei voltando nessa seara praticamente em todos os meus textos – fato. Uma grande importância também é o trato da planta integralmente, como um todo maior, melhor e ampliado. Para excelência na alimentação, aproximar-se do produto in natura é uma boa pra meio caminho andado no quesito qualidade. Utilizar partes não-convencionais, além das flores, como folhas, caule, galhos e raízes, é uma ótima maneira de explorar a plantinha em seu potencial máximo dos máximos.

 

Ó, e iremos falar de processo técnico de um jeito fácil, direto e objetivo. No mastigadão pra quem quiser praticar a culinária com cannabis estilão-caseiro. Então, sim, falhas, percalços e resultados diferentes irão acontecer sim. Mas tente mesmo se ater aos três grandes vetores da alegria maior: qualidade, higiene e paciência. Saiba que existem inúmeros jeitos de processar a maconha pra culinária, mas a base significa muito mesmo da técnica de cozinha e pronto. Claro que algumas coisas específicas são importantes, como a descarboxilação, mas a grosso modo basta seguir tecnicamente os preceitos de clarificação, infusão, concentração, redução e outros tantos –ãos dos livros de receitas que você irá encontrar.

 

Tá, mas e a tal da descarboxilação, né? Que é isso, afinal? De modo grosseirão é dar uma ativada nos canabinóides pra poder mandar bala. Num jeito bem básico, é meio que levar os canabinóides de ácido ou oxidado (enquanto planta crua ou envelhecida/curada) pra ativo-power-blaster (como quando planta-fumada): o thca, vai pra thcv que vai pra delta-9-tetrahidrocanabinol, no caso do THC, por exemplo. Existem várias maneiras de fazer a função aí, okay, mas o método mais fácil mesmo é forno com atenção máxima no tempo e temperatura. Uma ficha geralzona é:

 

 

  • Aquecer forno baixo (lá pelos 100ºC); numa assadeira forrada com papel manteiga, coloque a cannabis e leve ao forno por 15 a 20 minutos (com atenção para a mudança de cor que acontecerá);

  • Deixe de lado para esfriar, e aumente o forno para 120º-130ºC;

  • Triture a erva em pedaços menores depois de frio, cubra a assadeira com papel alumínio e leve de volta ao forno;

  • Deixe assar por aproximadamente 50 minutos;

  • Retire do forno e deixe coberto até esfriar.

  • Dependendo seu uso, pode-se ou não triturar mais, mas está pronto para utilização direta assim mesmo (comer por cima de salada, por exemplo, ou misturado em azeite) ou com proporção em manteiga ou farinha na preparação das receitas.

Aos poucos vou trazendo aqui outros jeitos simples e que funcionam muitíssimo bem pra quem já tem um pezinho mais dentro da cozinha, como farinha de folhas para preparos de pães, chá de caule ou raízes para infusões, etcetera e mais. Gosto muito de descarboxilar já na clarificação da manteiga também, daquele jeitão do dito popular, dois coelhos com um mesmo cajado, entende? Você deve utilizar banho-maria pra certeza de não atingir o pronto de fumaça da manteiga e muita paciência no processo, com controle intenso de temperatura. Faço o mesmo com infusão de óleo, no azeite ou no óleo de coco, com resultados maravilhosos, atingindo bela potencialidade psicoativa. De textinho em textinho vamos trocando mais e mais figurinhas.

 

 

O entendimento da dosagem é o próximo desafio de quem quer cozinhar bem com maconha. Não é fácil e requer cuidado, muito cuidado. Mais prudente e indicado começar em proporções menores – utilize sempre quantidades anotadas e com base de receitas já existentes, tentando equilibrar matéria prima canábica com matéria prima não-canábica. Sirva pedaços ou porções de tamanho regular para todos os comensais-aventureiros, padronizados em peso e medida, e divirta-se! As diferentes sensações causadas pela experiência de ingestão da cannabis pode ser a promessa de um novo ano, de um novo jeito de consumo, pra além da fumaça... Vai receitinha de farofa com manteiga canábica e avante 2018.

 

Farofa simples com manteiga canábica

Serve 04 a 06 pessoas

 

500g de farinha de mandioca torrada

 

50g de bacon em cubos pequenos

 

03 cebolas em cubos pequenos

 

01 dente de alho espremido

 

½ xícara de azeitona verde picada

 

¼ xícara de salsa fresca picada

 

01 colher sopa uvas passas (opcional)

 

100g de manteiga canábica*

 

sal e pimenta do reino ao gosto, mas com parcimônia

 

Vai lá na cozinha e manda ver:

 

1 - Uma panela média-grande, coloca no fogo baixo e já coloca o bacon picado antes mesmo de a panela esquentar – isso ajudará a soltar a gordura do bacon. Acrescente a cebola e não pare de mexer até ficar transparente.

 

2 - Acrescente o alho, a azeitona, as uvas (se optar por sim) e a manteiga, misturando bem.

 

3 - Junte a farinha de mandioca, aumente o fogo, mexendo sempre, por um minutinho.

 

4 - Desligue o fogo, prove o sabor, tempere com pimenta do reino e sal, se necessário. Junte a salsa fresca picada e voilá!

 

 

 

*para manteiga clarificada _ leve de 150g manteiga com 10g de flores ao banho-maria por no mínimo 03h. Vá escumando a espuma durante o processo, cuidadosamente. Coe em tecido étamine. Mantenha refrigerada.

 

*para manteiga misturada com cannabis descarboxilada_ misture 100g de manteiga amolecida com 10g de cannabis descarboxilada como o explicativo do texto.

 

 

 

Até breve! Três vivas a cannabis.

 

 

 

 

 

 

 

 

Thabata Neder

Cozinheira e especialista em cannabis,

esfumaçando cozinhas desde os anos 90.

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