8 de Março – O que vale lembrar no Dia Internacional da Mulher

March 8, 2018

 

 

Mais que uma data apropriada pelo mercado para aquecer as vendas, o dia 8 de Março, conhecido mundialmente como o Dia Internacional da Mulher, deve ser refletido pela condição histórica da mulher, e sobre a dimensão política da intimidade, dos hábitos e dos corpos.  Os feminismos clássicos apontaram que a intimidade é política, assim como, também é político, os usos dos dispositivos de prazer, ativados pelos princípios terapêuticos da Cannabis. Pois, em ambos casos, é o poder  - do homem ou do Estado exercendo a dominação dos corpos, da mente e da liberdade. E muitas vezes, fazendo o uso da violência contra aqueles considerados desviantes dos padrões, que ainda tendem a certas morais caducas e brutais.


Sob as perspectivas históricas, devemos consagrar e homenagear o dia oito de Março, lembrando a luta das mulheres trabalhadoras das indústrias têxtis norte-americanas do século XIX, que no dia 8 de marco de 1857, fizeram greve contra a precariedade no ambiente de trabalho das fábricas, reivindicando igualdade de direitos e lá receberam a forte repressão e violência da polícia. Devemos lembrar e prestar tributo também, às  trabalhadoras de Nova York, que em homenagem à luta das trabalhadoras de 57, fizeram uma marcha em 1911, acrescentando às causas, o fim do trabalho infantil e o direito ao voto feminino, também sofrendo como efeito, a forte violência da polícia.

 

 

 

Devemos refletir sobre estes eventos, e nos lembrar que a luta por direitos continua sendo uma batalha. Numa realidade como a atual,  em que se desconstroem as políticas de direitos, principalmente em nosso país, refletir sobre a realidade da opressão, violência  e da luta das mulheres trabalhadoras por direitos, assim como, sobre  o poder  e a violência da guerra proibicionista é um exercício político. Vale lembrar das Marchas da Maconha* e a violência da polícia nos eventos passados.
 

E nesta luta contra o poder conservador para os  nossos corpos e nossas performances atenderem às nossas próprias regras, estamos todos juntos! Tanto as marchas das Mulheres, que no ano passado aconteceram no mundo todo,  quanto as Marchas da Maconha contemplam uma realidade em que o Estado age como opressor e controlador das liberdades que deveriam ser garantidas, como já são nas sociedades que se mostraram mais emancipadas - lugares onde o aborto e a maconha, por exemplo são legalizados.

 

Por isso, independente do gênero, cis ou trans, estamos todos na mesma luta por um direito sagrado, que é o de exercer  liberdade. Mesmo porque, nossa liberdade em usufruir das propriedades medicinais e/ou sagradas de uma planta, não tende a ferir nossa sociedade. Ao contrário da violência do poder  guiado por moralismos proibicionistas tão retrógrados que continuam a alimentar uma guerra envolvendo diretamente o patriarcado e o estado.

 

 

* A próxima marcha da Maconha será dia 06/05/2018 no MASP, a partir das 14:00 hrs.

 

 

 

 

 

Claudia Ferraz

 

Co-fundadora da Ultra420, mestre em Antropologia, doutoranda em Ciências Políticas pela PUC-SP. Membro do Grupo de Estudos inscrito no CNPQ: Juvenália - Culturas Juvenis: Comunicação, Imagem, Política e Consumo, do Programa de Pós Graduação da Faculdade ESPM.

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